A tecnologia que vai tornar a prática médica mais segura e precisa

Imagine que você é um médico diante de um caso raro que terá que ser encaminhado para uma cirurgia. Talvez você já tenha ouvido falar nessa cirurgia, talvez tenha aprendido sobre ela na faculdade ou em alguma especialização, ou talvez, com mais sorte, tenha até acompanhado esse tipo de operação em algum ponto da sua carreira. Mas o fato é: você ainda não praticou essa cirurgia, e vai aprender como fazê-la da única forma possível: fazendo.

Se parece um pouco preocupante, há uma nova tecnologia disponível que pode mudar completamente esse cenário: o treinamento realista de cirurgias, já acessível hoje, por meio de simuladores e modelos 3D.

É ciência e é cinema

Parece até alguma invenção futurista, mas os BioModelos já são usados em vários lugares do mundo. Eles nada mais são do que réplicas de ossos ou órgãos feitos com base em exames de imagem de um paciente, como tomografias. No Boston Children’s Hospital, nos Estados Unidos, a criação de BioModelos e seu uso têm sido acompanhado de perto por Peter Weinstock, médico e diretor do Programa de Simulação Pediátrica da instituição.

Na prática, o time de engenheiros, médicos e animadores que Peter dirige usa os exames e as informações de pacientes com condições raras e produz modelos em 3D idênticos a cada um desses pacientes. Com um modelo em mãos, é possível treinar uma série de vezes a cirurgia específica para aquele caso. E os benefícios dessa ação são muitos: maior segurança, melhores resultados na operação, menos dor e sofrimento, menos anestésicos e menos tempo de uso de centros cirúrgicos. Uma ferramenta incrível e fundamental para a prática médica hoje.

Em seu TED, Peter explica que, no trabalho desenvolvido Programa de Simulação Pediátrica, há muito da tecnologia de Hollywood para criar efeitos especiais nos filmes, mas pontua: “Estamos fazendo cinema, mas os atores não são atores, são médicos e enfermeiras” (assista a seguir).

 

 

Mais segurança

Preparar uma equipe com treinos realistas e simulações de todo tipo de cenário não é novidade em várias áreas. No ramo da aviação, por exemplo, pilotos são submetidos a horas de treinamento de voo antes de conseguirem colocar as mãos em uma aeronave verdadeira. Em usinas nucleares, testes ajudam os profissionais a se prepararem para casos em que aconteçam desastres com vazamentos de substâncias tóxicas para a vida humana.

 

 

Mesmo no campo do esporte, em várias modalidades, de futebol a fórmula 1, atletas praticam jogadas e estratégias variadas para que possam encontrá-las em disputas reais já preparados. Por que não incorporar essa tecnologia também à área médica, que lida com sobrevivência e situações de risco constantemente?

Para Peter Weinstock, usar essas simulações na medicina é uma forma de tornar as situações raras mais comuns. Afinal, até hoje, quando um médico se depara com um caso raro, com frequência o que ele faz é buscar informação teórica e, com sorte, acompanhar uma cirurgia semelhante, para então praticá-la pela primeira vez já no próprio paciente.

Com os BioModelos, contudo, as equipes podem treinar quantas vezes forem necessárias antes de realmente realizar o procedimento. Weinstock sinaliza que esta é a diferença sensível entre dizer a um pai “Já operamos casos parecidos com o do seu filho neste hospital” e “Já operamos casos parecidos com o do seu filho neste hospital, e treinamos exatamente o que é preciso fazer no caso do seu filho horas antes da cirurgia”.

BioModelo para caso oncológico

 

Além disso, especialistas envolvidos com a simulação médica acreditam que, em alguns anos, o BioModelo será mais uma ferramenta de visualização comum, como é o caso, hoje, do raio-X e da tomografia. Afinal, a humanidade tem se desenvolvido no sentido de agregar o melhor da tecnologia para garantir sua sobrevivência, sua longevidade e melhores condições de vida – o cinto de segurança é um bom exemplo de algo inimaginável até seu surgimento, mas que revolucionou a segurança no trânsito.

 

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