Pesquisa usa moldes em 3D para cirurgias de aneurisma cerebral

Trabalho é coordenado por médicos do Instituto de Neurologia de Curitiba. Uso reduz tempo de cirurgia e melhora recuperação dos pacientes.

Médicos do Instituto de Neurologia de Curitiba estão estudando o uso de moldes feitos em impressoras 3D para o tratamento de aneurismas cerebrais. A equipe, chefiada pelo médico André Giacomelli Leal, em parceria com uma empresa de São Paulo, produz modelos feitos a partir de tomografias dos pacientes.

As próteses, segundo Leal, ajudam os médicos a planejar as cirurgias. Segundo ele, 10 pessoas já foram submetidas aos procedimentos com o auxílio dos modelos em três dimensões. “É bem conhecido nos aneurismas cerebrais, principalmente nos complexos, que o planejamento cirúrgico é essencial, a fim de evitar a manipulação excessiva das artérias e um tempo cirúrgico maior, um tempo anestésico maior e pós operatório maior e as taxas de mortalidade, tanto intra [durante], quanto pós-operatório”, explica.

Segundo ele, atualmente, as cirurgias desse tipo são feitas apenas com base em exames como as angiotomografias. Esses análises dão ao profissional uma visão panorâmica, em papel, da situação real do paciente. “Apesar de a gente poder adquirir imagens em três dimensões, a gente recebe essas imagens em um papel, que é bidimensional. Então, eu vou precisar do meu cérebro, para poder mudar dessas imagens em papel para uma imagem tridimensional na minha cabeça. Isso às vezes pode limitar um pouco o estudo do paciente”, diz Leal.

Ele diz que um dos principais tratamentos atualmente para os aneurismas cerebrais é a clipagem. Durante o procedimento cirúrgico, o médico usa pequenos clipes, para reduzir o tamanho dos vasos sanguíneos dilatados. Sobre uma mesa, o médico vai testando vários desses clipes, até que encontre o que se aplica melhor ao paciente.

“A pessoa que faz cirurgia desse tipo, ela tem uma bandeja na mesa do lado, com uma série de tamanhos, uma série de curvaturas e ângulos. E você escolhe no meio da cirurgia. Você vai explorar no intra operatório e vai colocar e vai trocar o clipe, vai mexer de um lado, do outro. E isso aumenta realmente o risco de sangramento, pela manipulação excessiva, além de um tempo cirúrgico maior”, explica.

Os estudos começaram há três anos, a partir de trabalhos de conclusão de curso que Leal orientou. No início, os alunos pesquisavam se seria possível construir moldes apenas dos aneurismas. À medida em que houve mais estudos, os pesquisadores começaram a pensar em moldes que trouxessem, além dos vasos com problemas, um molde do entorno onde ele se encontrava, dentro da cabeça dos pacientes.

O procedimento todo é dividido em duas fases. A primeira é a criação da peça em si. Para isso, os médicos enviam à empresa as imagens das tomografias realizadas nos pacientes. A partir delas, a empresa produz os modelos em três dimensões e envia os desenhos para a impressora, que produz os moldes. “Ela vai me dar uma impressão de uma peça com todas as estruturas, cores e graus de flexibilidade que essa tecnologia pode gerar”, diz Leal. Conforme o médico, as próteses simulam de forma bem próxima ao real, a consistência dos vasos sanguíneos e até das texturas ósseas.

A segunda parte é a planejamento e execução da cirurgia. Com o molde em mãos, os médicos vão para uma sala onde podem treinar como será feito o procedimento. Nesse momento, eles fazem os testes com os clipes que podem se encaixar melhor em cada situação. No momento da operação, o molde é levado também ao centro cirúrgico, para orientar os médicos novamente sobre onde e como devem ser feitos os procedimentos.

Resultado positivo

Sérgio dos Santos Ferreira foi um dos pacientes que foi submetido a uma cirurgia com o auxílio dos moldes. Em março deste ano, ele entrou no centro cirúrgico do Instituto de Neurologia de Curitiba. Pouco mais de um mês após a cirurgia, já está trabalhando normalmente. “A minha recuperação foi 100%. Eu fiz a cirurgia agora, em 4 de março e já estou há 30 dias trabalhando, não tive nenhum problema”, disse.

Custo alto

De acordo com Felipe Marques, CEO da BioArchitects, empresa que produz os moldes, o custo ainda é considerado alto para essa tecnologia. A média é de R$ 5 mil para cada peça, variando conforme o tamanho, nível de detalhamento e necessidade de cada procedimento. Atualmente, nenhum plano de saúde, nem o Sistema Único de Saúde, cobrem a confecção dos moldes.

No caso de Ferreira, ele disse que a família buscou os recursos para conseguir mandar construir o molde. “Eu precisei fazer, porque não tem meio termo. Você tem um aneurisma. Ou você faz [a cirurgia] ou você não faz. Ou você faz ou você morre. E aí, lógico que a gente correu atrás. Lógico que alguns procedimentos o plano cobre, mas o restante a gente correu atrás”, lembra.

O objetivo, porém, é divulgar a tecnologia para mais médicos, incentivando o uso dos moldes em três dimensões. Com a demanda, ele espera que o custo possa ser reduzido a longo prazo. Além das aplicações em cirurgias neurológicas, a empresa também já produziu moldes para outras aplicações, incluindo tratamento de câncer.

Uso educacional

Uma próxima etapa do uso dessa tecnologia é usar esses modelos para auxiliar na educação dos futuros médicos. No caso das cirurgias do Instituto de Neurologia de Curitiba, residentes usam o molde para acompanhar como o médico que conduz o procedimento está executando os movimentos da cirurgia. Também é possível que eles usem os moldes para treinar, sem a necessidade de cadáveres ou animais.

publicação original disponível em

http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/04/pesquisa-usa-moldes-em-3d-para-cirurgias-de-aneurisma-cerebral.html

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